Seguimos o nosso rumo.
Depois de várias voltas e curvas e retas e aclives, chegamos próximo ao nosso destino. Uma cidadezinha que parecia clandestina, de tão escondida. Lá encontramos uma proximidade com a natureza, tão diferente de como é hoje, que o resquício de contato que temos com ela é um detalhe que a humanidade ainda não pôde controlar, mas apenas prever, o clima.
A sensação daquele ar limpo, úmido com cheiro de fauna e flora invadindo os pulmões é algo tão mágico que eu e meus amigos nos esquecemos do breve detalhe: que não tínhamos mais tantas garantias sobre o nosso retorno à cidade das máquinas e concreto. A promessa de dinheiro havia se perdido pela falta do sinal de nossos celulares.
Ainda assim, fomos em direção à promessa de diversão, seguimos por cerca de 20 minutos contagiados pelo entusiasmo de nos banharmos na queda de uma cachoeira. Cheguei e fiquei deslumbrada, pensava em como eu podia ter me esquecido de como aquilo era bom.
Aquele lugar que mexia com todos os sentidos pelo cheiro de terra molhada, pelo barulho da água se movendo lentamente sem saber pra onde e de repente como se fosse num surto da natureza, acaba o chão e a água cai constante e abruptamente, mas sem interesse, apenas por capricho da gravidade e forma um barulho mais intenso e bolhas que se espalham em uma vista assimétrica, porém perfeita, que talvez algumas gerações futuras não vejam.
Nos divertimos, tiramos fotos, eu titubeei em deixar ou não que o rio me envolvesse em toda a sua viscosidade e me abraçasse, pois o aconchego da água de julho não era algo tão convidativo. Depois de muito analisar, acabei me rendendo.
Éramos 6 crianças brincando na água e acabamos nos esquecendo do frio.
Pouco antes do entardecer nos secamos e seguimos rumo ao ponto do ônibus que nos levaria para casa. Só então nos lembramos de que estávamos sem o dinheiro que nos transportaria.
Nos esquecemos de nos preocuparmos, afinal era domingo, estávamos à procura de uma cachoeira e em uma cidade tão diferente que parecia que o capitalismo é uma história tão remota quanto qualquer outra história de perseguição ou exploração.
Apesar de, para mim, dar tudo na mesma, só mudou de nome.
Seguimos para o centro da cidadezinha e só pensávamos em retornar, tomar um banho, comer e nos aninharmos em nossas casas. Caminhamos sem pressa, transbordando em idéias rotas, mas não menos satisfeitos pelo passeio.
Sem esperanças, apenas aguardamos o ônibus chegar.
Ficamos imaginando o que fazer para conseguir dinheiro. Pensamos em vender o celular de alguém: péssima ideia pensariam que éramos drogados e que havíamos roubado o celular de algum habitante da cidade, se é que lá existiam celulares.
Algum tempo depois, outro plano surgiu enquanto eu via um grupo garotos de pr´-adolescentes, com os hormônios à flor da pele, jogando bola na pracinha. Talvez eu conseguisse um trocado de cada um mostrando meus seios.
Por pudor ou por vergonha eu me contive.
Nos divertimos, tiramos fotos, eu titubeei em deixar ou não que o rio me envolvesse em toda a sua viscosidade e me abraçasse, pois o aconchego da água de julho não era algo tão convidativo. Depois de muito analisar, acabei me rendendo.
Éramos 6 crianças brincando na água e acabamos nos esquecendo do frio.
Pouco antes do entardecer nos secamos e seguimos rumo ao ponto do ônibus que nos levaria para casa. Só então nos lembramos de que estávamos sem o dinheiro que nos transportaria.
Nos esquecemos de nos preocuparmos, afinal era domingo, estávamos à procura de uma cachoeira e em uma cidade tão diferente que parecia que o capitalismo é uma história tão remota quanto qualquer outra história de perseguição ou exploração.
Apesar de, para mim, dar tudo na mesma, só mudou de nome.
Seguimos para o centro da cidadezinha e só pensávamos em retornar, tomar um banho, comer e nos aninharmos em nossas casas. Caminhamos sem pressa, transbordando em idéias rotas, mas não menos satisfeitos pelo passeio.
Sem esperanças, apenas aguardamos o ônibus chegar.
Ficamos imaginando o que fazer para conseguir dinheiro. Pensamos em vender o celular de alguém: péssima ideia pensariam que éramos drogados e que havíamos roubado o celular de algum habitante da cidade, se é que lá existiam celulares.
Algum tempo depois, outro plano surgiu enquanto eu via um grupo garotos de pr´-adolescentes, com os hormônios à flor da pele, jogando bola na pracinha. Talvez eu conseguisse um trocado de cada um mostrando meus seios.
Por pudor ou por vergonha eu me contive.
Por fim, conseguimos sinal no celular e ligamos para um amigo, que nos esperaria em um dos primeiros pontos da cidade onde morávamos. Inventamos uma história meio mirabolante que contaríamos ao cobrador do ônibus com cara de cachorro sem dono, que por gentileza ou dó nos levaria para casa.
Nossa estória consistia na perca de uma bolsa que continha o dinheiro de todos nós.
Chegada a hora, fomos conversar com o cobrador e vendemos nossa estória. O cobrador ou por má vontade ou descrença na honestidade humana, mal nos deixou terminar a estória e já disse que nada poderia fazer.
Só quem está cansado, numa cidade desconhecida, com fome e sem dinheiro, sabe a dor que é ver seu transporte partir sem você.
Porém, como dizem, nada está tão ruim que não possa piorar. De repente começa um chuvisco e tudo o que fazemos é torcer para não engrossar.
Nesse meio tempo, tivemos outra ideia. Iríamos até a delegacia da cidade e faríamos um BO, alegando que havíamos sido furtados na cachoeira. Talvez, assim, os policiais arranjassem uma forma de nos levar para casa sãos e salvos.
Fomos até o ponto de taxi e perguntamos onde ficava a delegacia da cidade e ficamos perplexos com a resposta que obtivemos, não existia delegacia na cidade. Contudo, outro taxista nos alertou que existia uma DP logo na entrada da cidade.
Cerca de 15 minutos de caminhada depois, estávamos batendo às portas da DP.
Dessa vez nossa cara de cachorro abandonado, seria ainda mais contagiante, pois todo mundo tem dó de cachorros famintos, molhados e perdidos. porém mais uma vez, fracassamos. O coração desse povo ou era feito de pedra ou já foi muitas vezes passado para trás.
Retornamos ao ponto de ônibus e torcemos para que fosse um cobrador diferente e mais caloroso. Depois de pensar um pouco mais, concluímos que, seria contar demais com a sorte. Resolvemos, então, apenas entrar como quem não quer nada, sentar antes da roleta do ônibus e esperar até chegar à nossa, agora tão amada, cidade das fabricas e edifícios.
No meio da viagem, bem no meio do nada, onde nem ao menos havia civilização, o cobrador nos pede o dinheiro da passagem. Todos “dormiam”. Ele insiste “A passagem, por favor”. Todos continuram dormindo. Até que a mais brava e fiel escudeira de nosso bando, responde com medo e conta toda a estória do furto e do quanto nós queríamos voltar para casa.
Não sei se este cobrador ainda acreditava no decoro dessa gente da cidade grande, se ficou com dó ou se não tinha outra opção e nos concedeu uma chance.
Continuamos a viagem e dormimos de verdade dessa vez. Chegando à cidade, ficamos ansiosos para o encontro com o nosso amigo e o tão valioso dinheiro de merda.
Passamos, finalmente, pelo ponto de encontro com nosso amigo, porém não se avistava ao menos uma sombra. Ficamos desesperados, inclusive o cobrador. Ao passarmos pelo próximo ponto, vimos o nosso salvador.
Pegamos o dinheiro com ele e conseguimos chegar em casa, comemos e tomamos o tão esperado banho.
Nos esquentamos com o banho quente que tem um preço, nos saciamos com comida, também, comprada. Nosso passeio quase foi um fiasco por causa do dinheiro. Pois bem, tudo até pode ter um preço mas ultimamente não é mais tão claro que o nosso suor sagrado é bem mais belo que esse dinheiro amargo desse capitalismo selvagem! Selvagem! Selvagem!...
Dessa vez nossa cara de cachorro abandonado, seria ainda mais contagiante, pois todo mundo tem dó de cachorros famintos, molhados e perdidos. porém mais uma vez, fracassamos. O coração desse povo ou era feito de pedra ou já foi muitas vezes passado para trás.
Retornamos ao ponto de ônibus e torcemos para que fosse um cobrador diferente e mais caloroso. Depois de pensar um pouco mais, concluímos que, seria contar demais com a sorte. Resolvemos, então, apenas entrar como quem não quer nada, sentar antes da roleta do ônibus e esperar até chegar à nossa, agora tão amada, cidade das fabricas e edifícios.
No meio da viagem, bem no meio do nada, onde nem ao menos havia civilização, o cobrador nos pede o dinheiro da passagem. Todos “dormiam”. Ele insiste “A passagem, por favor”. Todos continuram dormindo. Até que a mais brava e fiel escudeira de nosso bando, responde com medo e conta toda a estória do furto e do quanto nós queríamos voltar para casa.
Não sei se este cobrador ainda acreditava no decoro dessa gente da cidade grande, se ficou com dó ou se não tinha outra opção e nos concedeu uma chance.
Continuamos a viagem e dormimos de verdade dessa vez. Chegando à cidade, ficamos ansiosos para o encontro com o nosso amigo e o tão valioso dinheiro de merda.
Passamos, finalmente, pelo ponto de encontro com nosso amigo, porém não se avistava ao menos uma sombra. Ficamos desesperados, inclusive o cobrador. Ao passarmos pelo próximo ponto, vimos o nosso salvador.
Pegamos o dinheiro com ele e conseguimos chegar em casa, comemos e tomamos o tão esperado banho.
Nos esquentamos com o banho quente que tem um preço, nos saciamos com comida, também, comprada. Nosso passeio quase foi um fiasco por causa do dinheiro. Pois bem, tudo até pode ter um preço mas ultimamente não é mais tão claro que o nosso suor sagrado é bem mais belo que esse dinheiro amargo desse capitalismo selvagem! Selvagem! Selvagem!...
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