Certa tarde, eu procurava incansavelmente o meu RG. Minha
colega de apartamento na época me contou uma crença dela que, às vezes, quando estamos muito
deprimidos, os duendes tentam se vingar pelo ar cinza que deixamos a nossa
volta e escondem nossos objetos. E que, para fazermos as pazes com eles,
devíamos colocar uma maçã verde no jardim de casa.
A técnica sempre dava certo e por isso usei e abusei dessa
crença.
Uns 2 anos depois, tudo sumia em casa. Sumiam talheres, objetos do meu quarto e das outras meninas que moravam comigo. Enfim, o duende de casa estava mais revoltado do que nunca.
Corri e comprei a bendita da maçã verde.
As coisas começaram a reaparecer. O pior foi quando começaram a aparecer coisas que nós não tínhamos perdido e nunca iriamos querer encontrar.
Uns 2 anos depois, tudo sumia em casa. Sumiam talheres, objetos do meu quarto e das outras meninas que moravam comigo. Enfim, o duende de casa estava mais revoltado do que nunca.
Corri e comprei a bendita da maçã verde.
As coisas começaram a reaparecer. O pior foi quando começaram a aparecer coisas que nós não tínhamos perdido e nunca iriamos querer encontrar.
Então coloquei a fruta num vaso de uma planta na sala de casa. A maçã ficou lá por pouco mais de uma semana e as coisas começaram a reaparecer. O pior foi quando começaram a aparecer coisas que nós não tínhamos perdido e nunca iriamos querer encontrar.
Até que num sábado a tarde, enquanto me descontraía num churrasco ou me recuperava da bebedeira da noite anterior, recebo uma ligação da GabiG, que dividia apartamento comigo: “Daf, estou com medo! A maçã do duende tá mordida, vem dormir em casa hoje!” . Eu disse que era pra ela relaxar, que ele não ia fazer mal algum e não apareci em casa.
Até que num sábado a tarde, enquanto me descontraía num churrasco ou me recuperava da bebedeira da noite anterior, recebo uma ligação da GabiG, que dividia apartamento comigo: “Daf, estou com medo! A maçã do duende tá mordida, vem dormir em casa hoje!” . Eu disse que era pra ela relaxar, que ele não ia fazer mal algum e não apareci em casa.
No domingo a noite chego em casa, não muito bem, com
barbantes que insistiam em se enrolar dentro do meu estomago e algum tipo de
prensa invisível que apertava meu
cérebro sem parar.
Muitos chamariam isso de ressaca, mas me recuso a aceitar que meu corpo me puniria desta forma pela diversão do fim de semana.
Enfim, ao entrar em casa, encontro a maçã mordida no meio do chão da sala. Vou falar com a GabiG e ela me disse que pela manhã a maça já estava ali. Ficamos assustadíssimas.
Muitos chamariam isso de ressaca, mas me recuso a aceitar que meu corpo me puniria desta forma pela diversão do fim de semana.
Enfim, ao entrar em casa, encontro a maçã mordida no meio do chão da sala. Vou falar com a GabiG e ela me disse que pela manhã a maça já estava ali. Ficamos assustadíssimas.
Fora o duende.
Com isso, ficamos com medo de dormir. Só medo mesmo, porque
o cansaço do fim de semana era pior do que trabalhar a semana toda sem dormir.
Na segunda, enquanto limpava a casa, encontrei um objeto não identificado semelhante a um grão de arroz em escala maior e marrom, tudo bem, não era assim tão semelhante a um arroz, mas tinha o mesmo formato, comprido e achatado, desisto, não consigo descrever de forma melhor, algo semelhante a um arroz.
Na segunda, enquanto limpava a casa, encontrei um objeto não identificado semelhante a um grão de arroz em escala maior e marrom, tudo bem, não era assim tão semelhante a um arroz, mas tinha o mesmo formato, comprido e achatado, desisto, não consigo descrever de forma melhor, algo semelhante a um arroz.
Logo pela noite mostrei para a Gabi.
Ao analisarmos melhor o objeto não identificado semelhante a um arroz bronzeado, nos demos conta de que nosso duende não era bem um duende. Ele era na verdade um asqueroso e repugnante roedor.
Ó céus, um rato.
Ao analisarmos melhor o objeto não identificado semelhante a um arroz bronzeado, nos demos conta de que nosso duende não era bem um duende. Ele era na verdade um asqueroso e repugnante roedor.
Ó céus, um rato.
Eu e GabiG procuramos alternativas para exterminar aquele
animal embrulhador de estomago. Uma ratoeira foi a primeira alternativa, mas e
se ele não morresse com o ataque que deveria ser fulminante daquele aparato de
ferro teríamos que terminar o serviço sujo.
Mas com qual coragem?
Pensamos também em dar veneno. De certa forma obscura isso parecia ser menos terrível do que dar uma paulada na cabeça de nosso companheiro de apartamento clandestino, caso a ratoeira não funcionasse.
Até ai tudo bem, mas ele iria comer o veneno e sair pela casa agonizando com a sua terrível dor do fim e iria se esconder. Iriamos encontrá-lo apenas pelo odor fétido que seu pobre corpo deixaria na nossa aconchegante casa.
Mais um plano que foi por água a baixo.
Mas com qual coragem?
Pensamos também em dar veneno. De certa forma obscura isso parecia ser menos terrível do que dar uma paulada na cabeça de nosso companheiro de apartamento clandestino, caso a ratoeira não funcionasse.
Até ai tudo bem, mas ele iria comer o veneno e sair pela casa agonizando com a sua terrível dor do fim e iria se esconder. Iriamos encontrá-lo apenas pelo odor fétido que seu pobre corpo deixaria na nossa aconchegante casa.
Mais um plano que foi por água a baixo.
Enquanto decidíamos o que fazer com nosso “mascote”,
passamos a fechar todas as portas da casa. A porta que saia da área de serviços
para a cozinha, a que saia da cozinha e ia para a sala, a do banheiro e as dos
quartos.
Certa noite, enquanto torcíamos secretamente que ele fosse
embora por livre e espontânea vontade, sai do meu quarto e deixei a porta
aberta (erro 1) fui até a cozinha, tomei um copo de água e esqueci a porta da
cozinha aberta (erro 2). Durante o trajeto de retorno até meu quarto resolvi fazer uma vista ao quarto da GabiG (erro 3 nada, foi
ai que a merda estava formada).
Cerca de 15 minutos depois estava de volta ao meu quarto. Quando acendo a luz, ouço algo andando em cima do meu guarda-roupas e de repente esse barulho se materializa num vulto cinza e desce pela porta do guarda-roupas e entra em outro armário, ainda no meu "moquifinho".
Enquanto ele descia pela porta eu dei um grito somado a um passo para trás para tentar assimilar o que estava acontecendo. Esbarrei num copo que caiu no chão e se espatifou.
Cerca de 15 minutos depois estava de volta ao meu quarto. Quando acendo a luz, ouço algo andando em cima do meu guarda-roupas e de repente esse barulho se materializa num vulto cinza e desce pela porta do guarda-roupas e entra em outro armário, ainda no meu "moquifinho".
Enquanto ele descia pela porta eu dei um grito somado a um passo para trás para tentar assimilar o que estava acontecendo. Esbarrei num copo que caiu no chão e se espatifou.
É ai, só na hora do aperto, que a gente vê em quem pode
confiar.
Ouvi chaves se retorcendo na fechadura dos quartos das outras duas colegas de apartamento. Fechei a porta do armário onde se escondia o fofo e sai pela casa desesperada a procura de socorro.
Bati na porta do quarto da GabiG.
Antes de abrir a porta ela pergunta o que tinha acontecido, se era ladrão ou algo do gênero, me dissolvo em raiva, mas me recomponho porque iria precisar de sua ajuda.
Respondi em voz tremula e com os lábios cerrados: “O rato, ele está no meu quarto”. Ouvi de novo a chave rodando e surgiu um olho arregalado e assustado, meio confuso.
Ouvi chaves se retorcendo na fechadura dos quartos das outras duas colegas de apartamento. Fechei a porta do armário onde se escondia o fofo e sai pela casa desesperada a procura de socorro.
Bati na porta do quarto da GabiG.
Antes de abrir a porta ela pergunta o que tinha acontecido, se era ladrão ou algo do gênero, me dissolvo em raiva, mas me recomponho porque iria precisar de sua ajuda.
Respondi em voz tremula e com os lábios cerrados: “O rato, ele está no meu quarto”. Ouvi de novo a chave rodando e surgiu um olho arregalado e assustado, meio confuso.
Com apenas um olhar nos decidimos.
Sabíamos que era agora ou nunca, o fim do acampamento de férias do dito cujo. Aparelhamo-nos com tênis e uma vassoura para cada. Fechamos todas as portas do corredor e deixamos a porta da sala que dava para o hall de saída aberta, a fim de que ele educadamente se retirasse.
Sabíamos que era agora ou nunca, o fim do acampamento de férias do dito cujo. Aparelhamo-nos com tênis e uma vassoura para cada. Fechamos todas as portas do corredor e deixamos a porta da sala que dava para o hall de saída aberta, a fim de que ele educadamente se retirasse.
Seguimos em direção ao cômodo no qual aquele intruso insistiu em se acomodar: o meu quarto. Eu e GabiG verbalizamos o plano em um cochicho, não sei o porque do cochicho, mas, no momento do pânico, quanto menos informações o inimigo tiver, melhor.
Abrimos a porta do armário e lá estava ele.
A GabiG, em cima da cadeira, cutucando-o para que saísse de lá de dentro e eu atrás dela para conduzi-lo até porta do quarto e depois à porta da sala e, por fim, para fora de nossas vidas.
Só na hora que ele saiu de dentro do armário é que nos demos conta do quão enorme ele era.
Começamos a gritar de medo.
Ele, que não é nenhum pouco vítima nessa história toda, se assustou com os berros e correu para fora do quarto. Saí do quarto antes dele e já estava aposta na sala, só para ter certeza de que ele não erraria o caminho de saída.
O bicho estava mais assustado que nós.
Tentou entrar no banheiro, chegou a escalar a porta até a metade para ver se conseguiria sair daquela emboscada. Ao perceber que por ali não teria êxito na luta por sua vida mansa, correu em minha direção e não se intimidou com a vassoura que eu tinha nas mãos.
Mas eu me intimidei com aquele duende do esgoto.
Cometi o erro de deixa-lo correr para a sala. Na sala ele se refugiou no lugar mais alto que pôde. Escalou a cortina e ficava correndo de um lado para o outro no varão da janela.
Tentou entrar no banheiro, chegou a escalar a porta até a metade para ver se conseguiria sair daquela emboscada. Ao perceber que por ali não teria êxito na luta por sua vida mansa, correu em minha direção e não se intimidou com a vassoura que eu tinha nas mãos.
Mas eu me intimidei com aquele duende do esgoto.
Cometi o erro de deixa-lo correr para a sala. Na sala ele se refugiou no lugar mais alto que pôde. Escalou a cortina e ficava correndo de um lado para o outro no varão da janela.
Ao ver tal cena eu e GabiG nos desesperamos.
Resolvemos buscar reforço e chamar a GabiZ, que demorou para nos atender, mas, tamanho nosso esforço para acordá-la, se sentiu envergonhada demais para continuar fingindo que dormia.
Ela colocou um tênis e ganhou um rodo para nos ajudar na batalha.
Resolvemos buscar reforço e chamar a GabiZ, que demorou para nos atender, mas, tamanho nosso esforço para acordá-la, se sentiu envergonhada demais para continuar fingindo que dormia.
Ela colocou um tênis e ganhou um rodo para nos ajudar na batalha.
Ficamos alguns minutos paradas observando aquele rato enorme
que estava não tão bem acomodado na nossa sala. Nos momentos que ele estava
parado, nós o olhávamos e riamos da situação toda, não conseguíamos acreditar
que ele era tão grande e chegamos a batiza-lo.
Agora aquele duende roedor tinha um nome, Fred.
Agora aquele duende roedor tinha um nome, Fred.
Quando ele resolvia correr de um lado para o outro do varão a
gente saia em disparada correndo de tênis pelo corredor com nossas respectivas
armaduras e armas: pijama e rodo ou vassoura na mão com as bocas escancaradas e ruidosas. Ao chegar ao final do
corredor resolvíamos voltar lá e agir como mulheres.
Ficamos nessa por algumas horas.
Víamos na cara do Fred que ele estava tão desesperado quanto a gente. Como nós éramos as cabeças pensantes resolvemos tomar uma iniciativa. Pegamos todos os chinelos que estavam pela casa e começamos a tentar acertar a cabeça dele. Foi aí que percebemos o quão ruim era nossa mira.
Não passava nem perto da cabeça do Fred.
Oras, nunca ganhamos nada no tiro ao alvo das quermesses, porque diabos conseguiríamos acertar a cabeça dele que ficava correndo de um lado para o outro no seu balé "troll".
Víamos na cara do Fred que ele estava tão desesperado quanto a gente. Como nós éramos as cabeças pensantes resolvemos tomar uma iniciativa. Pegamos todos os chinelos que estavam pela casa e começamos a tentar acertar a cabeça dele. Foi aí que percebemos o quão ruim era nossa mira.
Não passava nem perto da cabeça do Fred.
Oras, nunca ganhamos nada no tiro ao alvo das quermesses, porque diabos conseguiríamos acertar a cabeça dele que ficava correndo de um lado para o outro no seu balé "troll".
Ainda assim, só desistimos de arremessar os objetos "pediculares" porque todos eles estavam próximos demais da cortina e tínhamos
medo de que o Fred se rebelasse contra uma de nós e pulasse em cima de nossas
cabeças.
A gente ficava olhando e analisando toda aquela situação, incrédulas de que não conseguiríamos vencer as habilidades de sobrevivência de um rato de esgoto. As 3 cabeças pensantes chegaram a conclusão de que a janela deveria estar aberta.
Uma xingava a outra intimamente por ninguém ter pensado nisso antes.
A gente ficava olhando e analisando toda aquela situação, incrédulas de que não conseguiríamos vencer as habilidades de sobrevivência de um rato de esgoto. As 3 cabeças pensantes chegaram a conclusão de que a janela deveria estar aberta.
Uma xingava a outra intimamente por ninguém ter pensado nisso antes.
Ao analisar um pouco mais a situação e a janela e a ideia
dela aberta, pensei inicialmente em jogar algo no vidro com tamanha força até
que ele se espatifasse e abrisse passagem para o nosso amigo. Mas o barulho do
vidro se rompendo no meio da madrugada não soou como uma boa ideia.
Gerônimo.
A janela tinha basculantes nos cantos superiores.
Só precisaríamos encontrar uma forma de abri-las. O rodo! O rodo tem um gancho
na ponta do cabo. Peguei o rodo e fui mijando nas pernas de medo do Fred pular
na minha cabeça e tentei puxar o gancho da basculante.
Não consegui.
Fora o plano com mais probabilidade de êxito que havíamos tido durante as nossas 2 horas de alvoroço.
Não consegui.
Fora o plano com mais probabilidade de êxito que havíamos tido durante as nossas 2 horas de alvoroço.
Insistimos então no plano. Uma segunda tentativa. Mas quem
vai agora? A Dáfine tem mais experiência nisso que a gente. Encheram-me de
frases de incentivo. "Você já tentou uma
vez e sabe como é". "É só dar umas corrigidinhas que você consegue". "Foi quase". "Vai lá". "A gente olha para ele e se ele se mexer, a gente te avisa".
Eu não sabia se olhava para o gancho da basculante ou se o
olhava para a cara tensa do Fred. Por fim, consegui abrir a bendita da porta da
felicidade minha, das meninas e do Fred.
O Fred pulou.
Ele se viu livre das três meninas histéricas e desse mundo cruel onde ratos nem duendes têm vez. Ele se jogou da janela do 2º andar, nada fácil de entender. Dormiremos agora, é só um rato lá fora.
O Fred pulou.
Ele se viu livre das três meninas histéricas e desse mundo cruel onde ratos nem duendes têm vez. Ele se jogou da janela do 2º andar, nada fácil de entender. Dormiremos agora, é só um rato lá fora.
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